BNDES apoiará ideias de arquitetos negros para Pequena África, no Rio
07.08.2025 - 18:00:43A Pequena África já é considerada uma das regiões mais visitadas por turistas no Rio de Janeiro e concentra dezenas de quadras na região portuária, sendo um registro geográfico da chegada ao Brasil de africanos escravizados.
Um passeio pelas ruas da Pequena África se transforma em uma aula sobre a influência negra na construção das identidades carioca e brasileira. Na região, além de sítios arqueológicos, como o Cais do Valongo e o Cemitério dos Pretos Novos, ficam pontos marcantes do legado africano na cidade, como o Quilombo da Pedra do Sal, a Casa da Tia Ciata – matriarca do samba ? e o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab).
Um dos locais de maior importância é o Valongo. Historiadores apontam que cerca de 1 milhão de escravizados tenham desembarcado nas Américas pelo Cais do Valongo.
Entre 1772 a 1830, o Cemitério dos Pretos Novos era local de sepultamento dos escravizados que morriam após a entrada dos navios negreiros na Baía de Guanabara ou imediatamente depois do desembarque, antes mesmo de serem vendidos. Hoje, existe no local o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), que pesquisa e preserva esse patrimônio material e imaterial africano.
Reparação e democracia
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, enfatizou a relação entre reparação da herança africana e democracia.
“Fazer reparação, reconhecer as violações de direitos humanos, trabalhar para que isso nunca mais se repita é fortalecer a nossa democracia”, disse ela.
Além da preservação e promoção da Pequena África, Evaristo incentivou iniciativas como o ensino da história do continente africano.
“Trabalhar pela inclusão da história da África nos currículos escolares é fortalecer a nossa democracia, combater o racismo e compreender que tem uma construção de África que é global, onde quer que a gente esteja”, disse a ministra, que saudou a presença de representantes dos governos dos países africanos Angola e Cabo Verde, que estavam na plateia.
Retorno
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, classificou a iniciativa como uma “construção do retorno”.
“É a construção do retorno, do merecimento, de reconhecer, de valorizar, de render glórias também à memória dessas pessoas que vieram antes, que sangraram, morreram aqui nesse país”, discursou.
Ao falar de retorno, Margareth Menezes comentou que se emocionou durante uma missão oficial a Benin, país da África Ocidental, onde há um lugar chamado Porta do Não Retorno, lugar que servia de embarque para os escravizados que seguiam para as Américas.
“Eu tive uma emoção tão forte”, lembrou. “Os que saíram daqui [África] sobreviveram também, eu sou fruto disso”, relatou o que sentiu no continente africano.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou que foi dado mais um passo de “tanta luta que retrata a memória, a força, a resistência do nosso povo”.
Sem dar detalhes, ela adiantou que o governo lançará na próxima segunda-feira (24) a Agenda Nacional de Quilombos. “Quem sabe do quilombo é o quilombola, assim como quem sabe da favela é o favelado”.
Ação afirmativa
Estiveram também no lançamento os presidentes da Fundação Palmares, João Jorge Rodrigues dos Santos, e da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), Marcelo Freixo, além de autoridades municipais e parlamentares.
Para o babalawô Ivanir dos Santos, a iniciativa de escolher arquitetos e urbanistas negros não pode ser vista como medida de exclusão.
“Não é exclusão, é valorização, com ação afirmativa, dessa capacidade profissional negra, que nem sempre é valorizada e aceita”, constatou.
“Às vezes, quem ganha são grandes escritórios e, então, contratam um negro para poder fazer. Dessa vez, não, é dirigido. Então, isso é uma valorização, inclusive ancestral, nossa”.
Ivanir, que também é conselheiro do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas, ressaltou a importância de intervenções na Pequena África serem reproduzidas por profissionais afrodescendentes.
“Este olhar vai ser importante. Não basta ser um arquiteto, tem que ser um arquiteto que tenha um olhar do que representou aquele espaço”, disse.
“Por ali, entrou não só a mão de obra, mas entrou também a cultura, a espiritualidade, a economia, as relações sociais que até hoje são muito presentes na sociedade brasileira como resistência”, completou Ivanir dos Santos.
Centro Cultural Rio-África
Não é a primeira vez que uma iniciativa busca protagonismo de afrodescendentes em intervenções arquitetônicas e urbanísticas na Pequena África. Em julho de 2024, foi lançado um concurso promovido pela prefeitura do Rio de Janeiro e pelo departamento fluminense do Instituto dos Arquitetos do Brasil, para escolher um arquiteto negro responsável pelo futuro Centro Cultural Rio-África.
O projeto vencedor é assinado pelo arquiteto Marcus Vinicius Damon Martins de Souza Rodrigues, do Estúdio Modulo de Arquitetura e Urbanismo, de São Paulo.
SOURCE Agência Brasil - Empresa Brasil de Comunicação S/A - EBC
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